Quem dá mais??
Fico impressionado com a imparcialidade bíblica. Homens tão importantes, dentro do contexto histórico da nação eleita (Israel), e portanto peças fundamentais dentro do plano divino para o advento do Messias que culminaria com o resgate da raça humana, como Abraão, Isaque, Jacó, Davi e outros, quando em um acidente de percurso, cometeram delitos contrários aos preceitos divinos, estes atos não foram omitidos pelos escritores bíblicos divinamente inspirados. Isto nos mostra a fidelidade e a justiça divina.
Não há corporativismo, nem tão pouco uma conivência em relação aos erros seja do rei, ou do súdito, do rico ou do pobre, do pastor ou do membro comum. A Bíblia é imparcial.
O amado leitor ao se deparar com textos que relatam erros e pecados destes homens acima citados, ou de outros com muita, pouca ou nenhuma relevância entenda que tudo o que foi escrito serve como advertência. A imparcialidade da Bíblia nos leva a acreditar na sua veracidade. A Bíblia é a palavra de Deus. A Bíblia aponta os erros dos homens, porém não fica nisto. Ela deixa bem claro como o homem pode se corrigir.
Com esta introdução acima, tentei esclarecer o motivo que me leva escrever esta matéria. Quero deixar bem claro que o que passo a escrever, não é uma regra entre o povo de Deus. Porém, isto tem me incomodado. Tenho certeza que faço parte de um grande número de pessoas que estão indignadas, envergonhadas e decepcionadas com esta situação que está se proliferando e são poucos aqueles que se dispõe a fazer ou falar alguma coisa sobre o assunto. Por que será?
Estou me referindo sobre a “comercialização” do sagrado. É com muita tristeza que constatamos e não podemos ficar calados, diante desta ignomínia, deste descalabro. Sei com certeza que serei censurado por esta minha atitude, porém não posso fazer parte deste corporativismo “evangélico” do “QUEM DÁ MAIS”.
Há tempos atrás em nossas igrejas apareciam moças e rapazes irmãos e irmãs, movidos pelo Espírito Santo, pedindo e se oferecendo “graciosamente” para louvar ao Senhor, e na maioria dos casos a exemplo dos dez leprosos que foram agraciados, são ingratos. Depois de alcançar a “fama” se tornam indisponíveis e não aparecem mais. Após implorarmos, voltam movidos pelos vultosos cachês. Onde está o: “de graça recebestes, de graça daí”? É um descalabro o que temos constatado. Estamos observando um verdadeiro “leilão”. Os lances são colocados: “Quem dá mais”? A igreja que der mais leva.
Um dia deste escutei através de um programa radiofônico, que um certo grupo para se apresentar em uma igreja cobra em média R$ 5.000,00. Isto é um absurdo. E o pior de tudo é que eles encontram igrejas que os contratam. Oh como o Espírito Santo deve estar triste com estes negociantes das coisas sagradas. Não sou nenhum ignorante. Estou certo dos valores que os cantores , têm que investir para gravar um CD de qualidade, e isto não cai dos céus, porém o que me espanta é o objetivo inicial quando se grava um CD. É tudo menos glorificar a Deus, poucas são as exceções .
Fico triste quando fico sabendo do montante que um cantor “cobra” isto mesmo! Cobra, para se apresentar. E ao chegar em uma reunião, que me recuso de chamá-la de culto, ele se torna a pessoa principal, colocando Jesus que pagou um preço especial pelos nossos pecados em segundo, quando não em último lugar. E a correria por autógrafo. Isto não tem um cheiro de idolatria? E nós pagamos para que isto aconteça. Estes episódios me fazem lembrar o caso de Balaão que fora contratado por Balaque para amaldiçoar o povo de Deus. Não conseguiu diretamente o seu intento, pois contra o povo que Deus abençoa, não vale encantamento. Porém indiretamente ele, Balaão prejudicou o povo de Deus. Pois ele conseguiu ensinar o meio que colocaria o povo fora da proteção de Deus. O escritor de Hebreus diz: “Portanto, nós também, pois estamos rodeados de tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com perseverança a carreira que nos está proposta”. Hb 12.1. Balaão foi contratado para colocar embaraço no caminho do povo de Deus. Nm 31.16.
Não podemos nos esquecer daqueles que negociam mensagens. São os pregadores profissionais. Especializa-se em certas áreas doutrinárias e vivem disto. Se for em uma igreja e não sair uma boa oferta este pastor é mão de porco, miserável e nunca mais ele volta a esta igreja. São pregadores de mensagens decoradas, pois são tantos os convites que eles não têm tempo para buscar novas mensagens. São mensagens pré-congeladas, é colocar no forno microonda que está pronta. Têm validades de seis meses a um ano, se você tiver o desprazer de ouvi-lo em três igrejas diferentes e em dias diferentes, pode constatar esta realidade. Só mudou de terno, mensagem é a mesma.
Um dia ao ser convidado para levar uma palavra em uma igreja, ouvir a triste pergunta: “quanto o senhor cobra”? Em outras palavras, qual o seu cachê para aquilo que o senhor recebeu de graça? E o pior que somos “obrigado” a ouvir estes profissionais do microfone, vomitar em nossos púlpitos, um monte de baboseiras e heresias e ainda vão embora, depois de receber os seus vultosos cachês, dinheiro sagrado, oriundo dos dízimos e ofertas dos fies.
Mas eu acredito que a culpa está em nós mesmos. Nós que convidamos, nós que ouvimos, e sobre aqueles que adquirem as fitas livros ou CD destes profissionais.
Devo lembra a estes “profissionais do microfone” o que diz a palavra de Deus sobre o amor ao dinheiro; “Porque o amor ao dinheiro é raiz de todos os males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores”. I Tm 6.10.
Que o Senhor nos guarde.
Pr. José Nilton Marques de Oliveira.
Presidente da Assembléia de Deus em Aldeia da Prata - Itaboraí / RJ.
CGADB 16810.
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